
18.06 - Os cinco sobreviventes do naufrágio do barco pesqueiro Safadi Seif chegaram em Itajaí na manhã deste domingo, trazidos pelo navio de apoio da Marinha Thor Frigg. A embarcação resgatou os pescadores na noite de sábado, quando as vítimas foram encontradas em uma balsa salva-vidas, na costa entre Garopaba e Florianópolis. Três pessoas estão desparecidas. A Marinha acredita que elas possam ter se salvado usando um bote.
Os sobreviventes levados para Itajaí são de Navegantes e trabalham para uma empresa de pesca de Itajaí. Os nomes deles são: Domingos Pereira do Rosário, Zoel Teixeira Barros, Djalma dos Santos Silva, Mário Gomes Soares e Luiz Carlos Messias da Silva. O grupo desembarcou do Thor Frigg por volta das 10h de domingo, no cais da Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí.
Em bom estado de saúde, eles foram atendidos no local pelos bombeiros e socorristas do Samu, sendo levados de ambulância para o Hospital Marieta Konder Bornhausen para avaliação médica. A chegada das vítimas foi acompanhada dos familiares, aliviadas após cerca de 30 horas em busca de informações e notícias sobre o naufrágio.
A esposa de Djalma, Katirene Pereira dos Santos, de 34 anos, contou que soube do acidente ainda na noite de sexta-feira, através de um amigo do marido. “Desde então, foi só sofrimento”, relatou. Segundo informou, o marido, também de 34 anos, saiu pra pesca com o barco na quarta-feira. Seria a primeira viagem dele. A intenção do grupo era seguir próximo à costa até Imbituba. Djalma é natural do Piauí, mas mora há 12 anos em Santa Catarina.
O naufrágio foi reportado na sexta-feira, quando a embarcação enviou o último sinal de posição, a cerca de 40 quilômetros da ponta de Garopaba, ao sul de Florianópolis. Na noite de sábado, a Marinha do Brasil informou que o rebocador Thor Frigg tinha resgatado com vida e bom estado de saúde cinco dos oito membros da tripulação do barco pesqueiro.
“A sensação é ao mesmo tempo de alívio, mas também de tristeza pelos desaparecidos”, disse Katirene. As buscas continuam para localizar os outros três pescadores. A mulher de Djalma disse que eles não têm familiares na região, sendo um deles do estado do Pará.
Os sobreviventes foram encontrados sem ferimentos e a bordo da balsa salva-vidas do pesqueiro. Eles acenaram ao ver o rebocador e foram resgatados pela embarcação. As informações são de que os outros três pescadores se jogaram direto no mar, assim que o barco foi atingido por uma onda. Os cinco sobreviventes esperaram o barco virar pra pular numa balsa inflável e escapar do naufrágio.
No momento do acidente, o grupo mandou mensagem de socorro para o navio Thor Frigg, que foi ao encontro dos sobreviventes. As buscas também mobilizaram o navio patrulha Benevente, que estava no Rio Grande (RS), e uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), que fez sobrevoo a região do acidente no sábado mas sem encontrar vestígio do naufrágio.
Além do Thor Frigg, o navio de pesquisa Ramform Thethys e o barco Igo Martins I também trabalharam na busca dos náufragos. Para domingo, era previsto um reforço na operação, com a chegada de dois helicópteros e o navio patrulha Babitonga.
Desaparecidos podem ter usado bote de salvamento
O barco pesqueiro Safadi Seif já pertenceu a JS Pescados, empresa da família do senador Jorge Seif Jr. (PL). A embarcação foi vendida pra um armador de Ganchos, em Governador Celso Ramos há cerca de três anos.
A tripulação tinha saído pra pesca de espinhel, com destino a águas profundas a cerca de 130 quilômetros da costa, quando enfrentou ondas gigantes, de até oito metros, na costa catarinense, devido à passagem de um ciclone extratropical no oceano.
Em entrevista coletiva na manhã deste domingo, a Marinha do Brasil informou que o ciclone influenciou no naufrágio. Um inquérito administrativo, com prazo de 90 dias de conclusão, foi aberto pra apurar as possíveis causas e responsáveis.
Segundo o órgão, o pesqueiro possuía, além da balsa usada pelos sobreviventes resgatados, um bote de salvamento. O equipamento pode ter sido usado pelos outros três tripulantes desaparecidos e eles ainda podem estar vivos.
"Temos esperança de encontrá-los vivos", disse o comandante do 5º Distrito Naval, Silvio Luís dos Santos, na coletiva.
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