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Itajaí – Empresa Kowalsky foi alvo da maior apreensão do mundo de barbatanas de tubarões

Ao todo 27,6 toneladas de nadadeiras são retidas na Kowalsky. Ibama diz que capturas de tubarões são irregulares, mas empresa nega.

21/06/2023 às 09h56
Por: Carneiro News Fonte: Diarinho
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Produto seria exportado para a Ásia, onde vale muito dinheiro – Foto/Divulgação
Produto seria exportado para a Ásia, onde vale muito dinheiro – Foto/Divulgação

21.06 - A maior parte da apreensão de 28,7 toneladas de barbatanas de tubarão feita pelo Ibama é da empresa Kowalsky Pescados, no bairro Salseiros, em Itajaí. São 27,6 toneladas de nadadeiras das espécies tubarão-azul e tubarão-anequim, conhecido como mako, retidas no armazém da empresa.  O pescado seria exportado para o mercado asiático. A empresa alega que a apreensão é ilegal e busca a liberação da carga na justiça.

De acordo com o Ibama, outra empresa que tentava exportar 1,1 tonelada de barbatana foi flagrada pela fiscalização no aeroporto de Guarulhos. As apreensões, conforme o órgão, representam a maior do mundo de barbatanas no local de origem. A estimativa é que 10 mil tubarões, 4400 azuis e 5600 anequins tenham sido mortos para a retirada das nadadeiras.

“Trata-se, possivelmente, da maior apreensão da história desse tipo de produto que afeta gravemente as espécies marinhas. Esse pescado foi realizado em várias regiões do litoral brasileiro, principalmente na região Sul”, informou o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Jair Schmitt.

De acordo com ele, o órgão tem monitorado o comércio e a exportação de barbatanas de tubarão. A investigação aponta que o pescado tem sido vendido principalmente para a Ásia, onde o produto é uma iguaria de luxo e pode valer até 100 dólares o quilo. No Brasil, praticamente não há consumo deste tipo de pescado.

“A partir desse alerta de grande comércio, nós começamos a investigar e verificar a origem, quais eram as empresas que estavam comercializando e onde essas empresas estavam adquirindo as embarcações”, informou o diretor. “Fizemos toda a cadeia reversa de produção, onde foi possível constatar as irregularidades”, aponta o diretor.

Licenças ilegais, diz Ibama

O Ibama diz que a pesca direcionada para tubarões não é permitida no Brasil. Segundo o órgão, as embarcações que atuaram na captura usavam licenças de captura de outras espécies e trabalhavam com índices acima de 80% da carga permitida. A captura ainda estaria sendo feita de dia, o que não é permitido pela legislação.

A partir de análises das barbatanas, o Ibama constatou irregularidades, desde a captura com ausência de licença para a modalidade, captura direcionada para tubarões e pesca proibida com o uso de equipamentos em desacordo com a lei.

“Além dessa pesca direcionada aos tubarões, essa prática ilegal também ocasiona a morte de diversas aves marinhas, inclusive algumas delas ameaçadas de extinção. Então, os danos ambientais não são relacionados somente aos tubarões, mas também à fauna marinha”, ressaltou Jair Schmitt.

Segundo ele, as embarcações também não adotaram medidas obrigatórias para evitar a captura e morte de aves marinhas, o que teria causado milhares de mortes de aves. A multa pra empresa é de R$ 550 mil. A estimativa do Ibama é que a exportação renderia cerca de R$ 14 milhões.

Anequim em risco

O Ibama afirma que a captura irregular causa “diminuição drástica das populações de tubarões”, com várias espécies entrando em risco de extinção. O tubarão anequim entrou pra lista de espécies ameaçadas e está proibido de captura desde o fim de maio.

O Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura, que reúne entidades do setor pesqueiro, chamou a operação como a “volta da pirotecnia, do sensacionalismo ambiental e do desserviço à sociedade”. O Conepe defendeu que a proibição do anequim entrou em vigor só a partir de 22 de maio e o tubarão azul está em processo de revisão do estado de conservação.

Empresário tenta a liberação da carga na justiça

O sócio administrador da Kowalsky, José Francisco Kowalsky, diz que a investigação do Ibama é “totalmente ilegal”. Segundo afirma, apesar da operação de agora, o produto está apreendido desde o início do ano, retido no armazém da empresa, sob refrigeração, pronto pra ser exportado.

“É um valor bastante considerável e a gente precisa exportar essa mercadoria. Nós temos já advogados trabalhando nessa situação, pra juridicamente reverter, porque foi uma operação [Ibama] totalmente ilegal. Juridicamente vamos tentar a liberação dessa mercadoria”, adiantou.  A empresa tanto compra as barbatanas de barcos de terceiros como pesca com barcos próprios.

“Nós temos todo o respaldo jurídico para apresentar, toda a documentação de compra da barbatana. Nós temos notas fiscais de compras, as licenças de pesca de todas as embarcações que pescaram, e essas licenças contemplam os tubarões, todos os tubarões que são capturados e cortadas as barbatanas que são vendidas pra nós e nós temos as documentações desses barcos”, defende o empresário.

José mostrou que a licença de pesca contempla todos os tubarões da “fauna acompanhante”, contestando a alegação que a captura é proibida no Brasil. Alguns tubarões são citados como cação, nome comercial usado pelo setor. “As licenças de pesca que nós temos são emitidas pelo ministério da Pesca e os barcos trabalham normalmente”, comenta.

O empresário diz que o tubarão-azul é muito pescado no Brasil para consumo interno e importado. Conforme dados do setor, a espécie tem capturas globais de 190 mil toneladas. “Nós importamos em torno de 17 mil toneladas de tubarão azul por ano, vem do Uruguai, e nós produzimos 4 mil, 5 mil [toneladas]”, informa José.

Industrial alega perseguição e culpa Petrobras

A Kowalsky contestou as alegações sobre irregularidades na captura, entre elas o lançamento de espinhel, equipamento com vários anzóis, durante o dia e com a intenção de capturar tubarões, e não a espécie-alvo da licença. A legislação libera o uso do equipamento só à noite, pra evitar a captura acidental de aves marinhas.

O empresário José Francisco Kowalsky diz que a empresa trabalha há anos com a exportação de barbatanas e, segundo afirma, com a autorização do Ibama. Ele alega que ONGs, contrárias à atividade pesqueira, incentivam o órgão a fazer fiscalizações pra “ferrar” o setor.

“Isso se chama perseguição. Isso é tudo orquestrado por ONGs internacionais e nacionais também, que são patrocinadas pela Petrobras, que é quem mais suja o oceano. Pra ficar bonitinho na fotografia, eles [Petrobras] pegam e patrocinam ONGs pra fazer alguma coisa”, acusa José Kowalski.

Para José, os fiscais do Ibama não têm como comprovar a alegação de irregularidades porque não estiveram a bordo. “A orientação que a empresa dá é pra que os pescadores cumpram as normas, que larguem na parte noturna. Pelo que eu sei, é tudo feito dentro da lei”, disse, rebatendo também a acusação de que os barcos estão pescando mais tubarões do que a espécie-alvo.

 

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