
28.12 - Os moradores da Estrada Geral da Lagoa, interior de Balneário Piçarras, fazem nesta quinta-feira bloqueios parciais ao longo do trajeto do bairro tentando reduzir a velocidade de caminhões e veículos de passeio que, na tentativa de fugir do congestionamento da BR 101, usam o interior como “rota de fuga” em direção a Navegantes.
O protesto iniciou ainda ontem, quando os proprietários – a maioria agricultores familiares – cavaram valas em meia pista e colocaram troncos e cones ao longo da rodovia na tentativa de fazer com que os condutores respeitem as regras de trânsito.
A opção pelo trânsito no interior se agravou também porque aplicativos de trânsito como o Waze ou o Google Maps mostram a Lagoa como opção para fugir do congestionamento da rodovia federal no litoral norte – mas o que é tido como solução para motoristas virou um pesadelo para moradores.
Em vídeos postados nas redes sociais, eles protestaram contra o que chamam de “demora da prefeitura” em tomar soluções e cobraram também a presença de vereadores na localidade – não houve, no entanto, bloqueio total do trajeto. As barreiras serviram, segundo os moradores Nerci Rosa, o Caubói, e Arlindo Fiamoncini, para frear principalmente caminhões.
Na noite de ontem, o prefeito Tiago Baltt (MDB) reagiu às cobranças, autorizando o bloqueio dos caminhões pelo interior piçarrense.
Muretas de concreto foram instaladas ao longo das ruas Abílio Manoel de Borba (EM Morretes), vereador Altair de Souza (Nossa Senhora da Conceição) e Estrada Manoel Venâncio Quintino (Geral da Lagoa). A instalação dos bloqueios, segundo o prefeito, é temporária. O prefeito ainda liberou caminhões-pipa para molhar a rua nesta quarta.
Num dos vídeos, gravado na terça-feira, crianças aparecem jogando bola ou brincando de bicicleta na Estrada Geral e tendo de sair da estrada por conta do tráfego intenso. Além da alta velocidade, a comunidade é também ameaçada pela poeira.
O secretário Paulo Debatin, titular da Segurança Pública de Balneário Piçarras – e que responde também pelo trânsito –, esteve no local, mas não impediu a manifestação popular. Ele frisou ao DIARINHO que o objetivo foi acompanhar o protesto e alertar motoristas pela redução da velocidade, além de informar da existência desses obstáculos instalados pelos moradores.
“Há muito fluxo de pessoas, ciclistas, trabalhando na região da Lagoa”, observou Debatin. “Além disso, alertamos a respeito da possibilidade de acidentes por conta da visão prejudicada da estrada provocada pela poeira”, detalhou.
O secretário alerta que a poeira pode acarretar em atropelamentos de moradores ou animais, e ainda colisões ou capotamentos. “Estamos avaliando a melhor forma de solucionar o alto tráfego de veículos na localidade decorrente da migração e turismo nesta temporada”.
Para o morador Caubói, entretanto, o mais urgente é a instalação de lombadas, que reduzam a velocidade, além da sinalização em todo o trajeto. “O caminhão-pipa ajuda a conter a poeira, mas o que precisa ser reduzido é a velocidade”, considerou.
Por: Juvan de Souza Neto


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