
06.05 - O traficante preso com 50 kg de haxixe na noite de sexta-feira escondeu parte da droga apreendida em uma sala da JS Pescados, empresa do pai do senador Jorge Seif Junior (PL), que fica na rua Arnoldo Lopes Gonzaga, no bairro Barra do Rio, em Itajaí.
A sala, segundo o empresário Jorge Seif, estava locada para um outro armador de pesca. O homem preso seria sobrinho deste terceiro armador e teria as chaves da sala comercial onde armazenou a droga. A apreensão foi avaliada em mais de R$ 700 mil.
Segundo informações da Polícia Militar, uma viatura estava em rondas pelo bairro quando recebeu informações de que o traficante A.H.C., de 20 anos, estaria fazendo entregas de drogas com uma Honda Biz. O traficante foi preso com dois quilos da droga. Ele confessou aos policiais militares que tinha mais drogas guardadas no galpão da empresa JS Pescados, onde tinha as chaves da sala onde trabalhava. A droga estava escondida em duas caixas de isopor.
O traficante e as drogas foram encaminhados à Central de Plantão Policial (CPP). O cara foi preso em flagrante por tráfico de drogas e já teve a prisão convertida em preventiva.
Segundo a delegada Daniella Pereira, responsável pelo flagrante, A. não quis se manifestar. A delegada informou que o caso ainda está sendo investigado. “Não sabemos se ele era funcionário da empresa. Ele ficou em silêncio no interrogatório”, adiantou a delegada.
“Não conheço esse rapaz”, afirma Jorge Seif
Ouvido pelo DIARINHO, o empresário Jorge Seif alegou que a sede da sua empresa tem uma circulação de mais de 10 mil pessoas por mês. “A gente não consegue administrar todos os pescadores e pessoas que entram aqui. Não conheço esse rapaz. Ele estava em uma das salas que são locadas para armadores de pesca terceirizados...”, disse à reportagem do DIARINHO.
Jorge Seif disse que Maurício Manoel Silva Filho é o armador que tem a sala locada. “A sala foi locada. O barco dele está encostado aqui agora. Não tenho nada contra, ele também está surpreso. Mandei que viesse aqui para se explicar e ele disse que estava surpreso. Questionei como ele deu a chave do escritório para um estranho e ele disse que não era estranho, que era seu sobrinho”, contou Jorge Seif ao DIARINHO.
O empresário ficou de enviar ao DIARINHO o contrato de locação da sala para confirmar as informações repassadas à reportagem, mas não o fez até o fechamento desta matéria. “Ele tem uma sala locada na minha empresa, tenho o contrato, tenho tudo para mostrar”, disse Jorge Seif.
Já o advogado Rodrigo Fernandes, da assessoria jurídica da JS Pescados, informou que a JS Pescados aluga várias salas do complexo de galpões, que é composto por unidades independentes. “A empresa não tem nenhum vínculo com as operações realizadas nas outras salas, inclusive a unidade onde as drogas foram supostamente localizadas. É importante ressaltar também que não houve qualquer ação de busca ou intimação policial dirigida à JS Pescados. Continuamos firmes no cumprimento das leis e preservação de nossa imagem perante clientes e colaboradores”, informou o jurídico da empresa.
O advogado Rodrigo Fernandes informou ainda que nesta segunda-feira será feita a rescisão de contrato com o armador que alugou a sala. O advogado também disse que o rapaz preso não é funcionário ou terceirizado da JS Pescados.
O DIARINHO questionou o empresário Maurício Manoel Silva Filho sobre as informações repassadas por Jorge Seif, mas ele se exaltou e encerrou a conversa. “Tá louca? Tá doida você!”, disse à repórter.
Droga apreendida em caminhão da JS Pescados
Ao DIARINHO, o empresário Jorge Seif desabafou e disse que “vive uma maré de azar” e lembrou do caminhão plotado com as iniciais da empresa, apreendido transportando drogas no Mato Grosso do Sul, em março do ano passado. O caminhão foi apreendido com 322 quilos de maconha na BR 487, em Naviraí A apreensão foi feita pelas equipes da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e Polícia Civil de Dourados (MS). O caminhoneiro de 25 anos foi preso em flagrante.
Na época, o empresário Jorge Seif informou que o caminhão e as caixas plásticas de peixe onde estava a droga tinham sido revendidas para um ex-funcionário da empresa por R$ 400 mil. Segundo ele, a venda aconteceu no dia 8 de setembro de 2022, com o pagamento em 24 parcelas de R$ 10 mil e o motorista fazendo “balão” [dando valores a mais] para completar os R$ 400 mil. “Foi uma operação de compra e venda que resultou na entrega do bem para outrem, vendido de forma parcelada, e mediante a quitação, seria transferido no Detran. Conforme contrato firmado entre as partes, o mesmo assumiu, a partir da compra, toda a responsabilidade pelo bem, não tendo o vendedor que se pronunciar por fatos ocorridos após a transmissão do mesmo”, alegou na época.
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