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Política Pirão com Peixe

Cidades do litoral: Lula perdeu, mas melhorou desempenho

A Coluna Pirão com Peixe é assinada pelo renomado jornalista e radialista Juvan de Souza Neto. Em foco a política da região, estadual e do país. O “prato” servido pelo colunista contém um bom tempero com uma ótima pitada de bom humor.

31/10/2026 às 15h59
Por: Carneiro News Fonte: Juvan de Souza Neto
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Imagem Ilustrativa
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■ Flávio: mais de 70% dos votos

O desempenho do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições foi melhor, em termos de crescimento percentual, do que o de Flávio Bolsonaro (PL) em cidades da região. Embora Flávio tenha ultrapassado a marca de 70% dos votos em Balneário Piçarras, Penha e Barra Velha, ficando um pouco abaixo desse índice em Navegantes (68%), foi o petista quem mais avançou percentualmente nas urnas das quatro cidades em relação ao primeiro turno.

■ Balneário Piçarras

Em Balneário Piçarras, Lula, que saiu do primeiro turno com 22% dos votos, ganhou mais cinco pontos percentuais no segundo, passando de 3.927 para 4.938 votos. Já Flávio ampliou sua votação em cerca de dois pontos percentuais no segundo turno: o filho de Jair Bolsonaro passou de 12.090 para 12.946 votos. Ou seja, Lula teve um crescimento proporcional maior que o adversário em relação ao resultado de 4 de outubro.

■ Penha

Em Penha, Lula também avançou cinco pontos percentuais, passando de 4.288 para 5.474 votos. Já Flávio foi de 13.945 para 15.033. Comparando os dois turnos, o filho de Jair Bolsonaro ampliou sua votação na terra do marisco de 70% para 73%. Lula repetiu o crescimento percentual de Balneário Piçarras, passando de 21% para 26%.

■ Barra Velha

Em Barra Velha, Lula repetiu o avanço de cinco pontos percentuais: passou de 21% dos votos no primeiro turno para 26% no segundo, saltando de 4.892 para 6.091 votos. O resultado foi considerado expressivo pelo PT local, já que, em 2022, Lula havia ampliado sua votação na cidade em apenas 300 votos. Agora, foram cerca de 1.200 votos a mais nas urnas barra-velhenses. Flávio avançou de 71% para 73%, passando de 16.003 para 17.075 votos, um crescimento de pouco mais de mil votos.

■ Navegantes

Em Navegantes, Lula registrou seu melhor desempenho percentual entre as quatro cidades, com avanço de seis pontos percentuais. O petista passou de 25% para 31% dos votos, saltando de 12.780 no primeiro turno para 16.419 no segundo. Já Flávio teve em Navegantes seu menor percentual entre os quatro municípios: passou de 32.775 para 35.126 votos, ampliando sua votação de 65% para 68% na terra dengo-dengo.

■ Filhos fora

O ex-vereador Ronnie Peterson Santos (PSD), que renunciou ao mandato parlamentar após se mudar para os Estados Unidos, onde trabalha e estuda, chamou a atenção nesta semana ao defender que mais pais “tirem os seus filhos” do Brasil e lhes proporcionem a experiência de viver em outro país. O vídeo não teve necessariamente conotação política, tampouco foi apresentado como uma reação ao resultado das eleições presidenciais do último domingo.

■ Ingratidão?

Ao que parece, a gravação de Peterson teve caráter familiar, mostrando o cotidiano dele, da esposa e dos filhos nos Estados Unidos. Peterson vive na Flórida e defende que a mudança de país proporciona aos filhos mais proteção e acesso à cultura do que teriam, em sua avaliação, vivendo no Brasil. O fato é que a publicação soou um tanto quanto “ingrata” (preferimos as aspas) em relação ao Brasil, país onde Peterson nasceu, cresceu, estudou e atuou como advogado, corretor e secretário de Saúde. Mais precisamente, em relação a Barra Velha, cidade que o elegeu vereador.

■ Vende carros

A publicação acabou trazendo à memória o período em que Peterson, de maneira silenciosa e sem explicações ao eleitorado que lhe concedeu mais de 600 votos, mudou-se para os Estados Unidos. Por lá, acabou sendo identificado como vendedor de carros após publicar vídeos com ofertas de automóveis na internet. É claro que o ex-vereador tinha o direito de mudar de país a qualquer momento. Mas a maneira como conduziu sua saída em relação aos eleitores foi bastante questionada.

■ Chiou com o JR

Em Penha, o vereador Luiz Fernando Vailatti, o Ferrão (União Brasil), discordou publicamente de seu ex-candidato ao governo do Estado, Jorge Rodrigues (PSD). Explico: o ex-prefeito de Chapecó e candidato derrotado ao governo de Santa Catarina, que ficou atrás tanto de Jorginho Mello (PL) quanto do candidato da esquerda, Gelson Merísio (PSB), foi às redes sociais manifestar apoio à saída do senador Flávio Bolsonaro do país, após a derrota nas eleições presidenciais.

■ Tipo de lideranças

Rodrigues afirmou, em vídeo, que, se Flávio tivesse sido eleito presidente, não teria deixado o país nem tido seu passaporte retido. Também cobrou respeito ao “devido processo legal” em relação ao senador. Ferrão discordou e classificou a manifestação do ex-prefeito como uma “vergonha”. E disparou: “Por pronunciamentos como esse, que se percebe o tipo de lideranças que temos hoje em dia”. Para muitos, Vailatti sinalizou descontentamento com a postura de uma liderança política que havia apoiado.

■ Quietinho no meu canto

Reeleito vereador por Navegantes com 1.315 votos e apoiador de primeira hora da candidatura da deputada federal Paulinha da Silva (Podemos), Gabriel dos Anjos, conhecido pela atuação nas redes sociais e pelos embates parlamentares, manteve absoluto silêncio sobre as eleições estadual e federal em seus perfis. Sua página reúne bons vídeos sobre demandas locais da comunidade navegantina, além de conteúdos familiares. E só.

■ Furtou a bandeira

Bolsonaristas mais exaltados protagonizaram um episódio de provocação em Barra Velha, no último sábado, durante uma carreata de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), que percorreu ruas do centro e de bairros da cidade. Em determinado momento, um dos participantes subiu em um veículo utilitário e retirou uma bandeira de apoio ao presidente Lula (PT) da sacada do imóvel do ex-vereador Adilson Madruga (PT). É o tipo de provocação desnecessária que, se ganhar proporções maiores, pode terminar em consequências graves.

■ Só uma bandeira

Uma bandeira é apenas uma bandeira, bem sabemos. Mas provocações desse tipo são dispensáveis, venham da esquerda ou da direita. As imagens das câmeras de segurança mostram o apoiador do PL quase caindo do veículo ao tentar retirar a bandeira da sacada. Poderia ter caído e se machucado. A escalada de agressividade durante as eleições provocou episódios muito mais graves pelo Brasil, e esse tipo de comportamento precisa ser repudiado.

■ Voltou à cena

O ex-vereador Rafael Sizino Sebastião (PT), primeiro petista eleito para a Câmara de Penha, na legislatura de 2001 a 2004, voltou à cena política do município como liderança orgânica do partido. Participou ativamente e liderou boa parte da campanha pela reeleição de Lula neste ano, tanto no primeiro quanto no segundo turno. É apontado como um nome viável para disputar uma cadeira no Legislativo em 2028, que, aliás, está logo ali.

■ Mirim

A Câmara de Vereadores de Balneário Piçarras solicitou um estudo técnico para avaliar a viabilidade de instalação de um semáforo na avenida Nereu Ramos, em frente ao Hotel Candeias. A indicação, bastante oportuna, não partiu de um vereador titular, mas da parlamentar mirim Fabiana Marques, da Escola Municipal Francisca Borba, por meio do programa Câmara Mirim. A proposta foi oficializada sob o número 198/2026. Às vezes, os pequenos dão exemplos melhores que os “maduros”.

■ Listas detestáveis

Várias cidades do Brasil registraram a circulação das detestáveis “listas” de pessoas que deveriam ser demitidas ou de estabelecimentos comerciais que deveriam ser boicotados por conta de um suposto voto na esquerda nas últimas eleições. Uma prática que remete a métodos de perseguição e exclusão econômica empregados por regimes autoritários, inclusive pelo nazismo, que promoveu boicotes a estabelecimentos judaicos. A história mostrou as consequências trágicas da perseguição sistemática a grupos e indivíduos.

■ Ultrarreacionária

Agora, surge a proposta de um projeto de lei federal para punir especificamente essas práticas de coação e discriminação política. Cada cidadão deve ter liberdade para escolher em quem votar e quem deseja como governante. Em Barra Velha, porém, a defesa do boicote teve uma personagem bem definida: Iara Hausmann (Podemos), ex-candidata a deputada estadual, de postura ultrarreacionária, que, mesmo após conquistar apenas 726 votos nas urnas, achou por bem incentivar esse tipo de campanha.

■ Dane-se

Ela aderiu à campanha intitulada “seu dinheiro, suas escolhas” e defendeu que as pessoas “não entrem e não comprem” em estabelecimentos supostamente petistas. Ou seja: dane-se se o comércio tiver eventualmente um sócio bolsonarista; dane-se se houver ou não certeza de que o proprietário votou em Lula; dane-se se o trabalhador daquele estabelecimento depender do emprego para sobreviver ou até mesmo tiver votado em Flávio Bolsonaro (PL).

■ Preconceito

O que parece prevalecer nessa linha de pensamento é a ideia de prejudicar economicamente quem pensa de maneira diferente. Uma postura excludente e preconceituosa, portanto. E uma contradição para quem defende o “Estado mínimo”, mas disputou eleições utilizando recursos do fundo eleitoral, como apontou o influenciador Jefferson “Batata” de Souza, de Barra Velha. Ele também levantou questionamentos sobre diferenças nas declarações de bens apresentadas pela candidata nas disputas eleitorais de 2022 e 2026, para a Câmara de Barra Velha e a Assembleia Legislativa, respectivamente.

⬆️ SOBE | O posicionamento de lideranças de direita que não apenas reconheceram a derrota nas urnas, mas também reagiram às recentes e lamentáveis “listas” que atacam pessoas e estabelecimentos comerciais supostamente ligados a eleitores do presidente Lula. A eleição termina com a apuração dos votos e, no dia seguinte, os resultados e os direitos de todos precisam ser respeitados. Assédio eleitoral, coação e ameaças podem configurar crimes.

⬇️ DESCE | O preparo dos vereadores de Barra Velha. A recente declaração sem embasamento do vereador Rubinho Francisco (PL) sobre o autismo, seguida de uma manifestação também problemática do parlamentar Nelson Feder (Podemos), evidencia a necessidade de maior responsabilidade e conhecimento por parte dos representantes públicos do município.

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